De quem é o seu site, de verdade

Domínio, hospedagem, código e analytics. Quatro acessos que decidem se você tem um site ou um aluguel.

Isabella Riquetti3 min de leitura

Existe uma diferença entre ter um site e ter acesso ao seu site. Muita gente descobre isso no pior momento possível: quando quer trocar de fornecedor.

O caso típico é sempre o mesmo. A empresa contrata alguém, o site fica bom, passam dois anos, o atendimento piora ou o preço sobe. Na hora de sair, descobre que o domínio está registrado no CNPJ do fornecedor, o código está numa conta que ela não acessa e o histórico do analytics vai embora junto. Sair significa recomeçar do zero e perder o endereço que os clientes conhecem.

Isso não é maldade na maioria das vezes. É preguiça de configuração. Mas o efeito é o mesmo.

Os quatro acessos que importam

Domínio. O mais importante dos quatro, porque é o único que não dá para recriar. Hospedagem se troca em uma tarde, código se reescreve, analytics se refaz. O endereço que está no seu cartão, na sua fachada e nos seus anúncios, não.

Deve estar registrado no seu CPF ou CNPJ, no registro.br ou no registrador internacional, com o login e o e-mail de recuperação no seu controle.

Hospedagem. É onde o site roda. Você precisa ter conta própria, ou pelo menos acesso de administrador na conta onde ele está. Hospedagem em conta compartilhada do fornecedor, junto com outros trinta clientes, é o segundo lugar mais comum de ficar preso.

Código. Os arquivos do site. Se for feito em plataforma fechada, tipo construtor de sites com assinatura, o código não é portátil e você precisa saber disso antes de assinar, não depois. Se for feito sob medida, o código deve estar num repositório que você acessa.

Analytics. Parece o menos importante e é o que mais dói perder. Dois anos de histórico de visita mostram sazonalidade, o que funcionou e o que não funcionou. A propriedade do Google Analytics deve estar na sua conta Google, com o fornecedor adicionado como usuário. Não o contrário.

Como verificar o seu site hoje

Leva dez minutos.

  1. Domínio. Entre em registro.br/busca-dominio e busque o seu endereço. A página mostra o titular. Se não for você, é o primeiro assunto a resolver.
  2. Hospedagem. Pergunte ao fornecedor em qual serviço o site está e peça o acesso. Não precisa usar, precisa ter.
  3. Código. Pergunte onde está e peça acesso de leitura. Se a resposta for "está no meu computador", peça uma cópia agora.
  4. Analytics. Abra analytics.google.com com a sua conta. Se a propriedade não aparece, ela não é sua.

As perguntas para fazer antes de contratar

Antes, não depois. Por escrito, no orçamento:

  • O domínio será registrado no meu nome, com o login comigo?
  • A hospedagem fica em conta minha ou sua? Se for sua, o que acontece se eu sair?
  • Recebo o código no fim do projeto?
  • A propriedade do analytics fica na minha conta Google?
  • Existe fidelidade, multa de saída ou período mínimo?

Fornecedor sério responde as cinco sem hesitar, porque para ele isso é configuração de meia hora no começo do projeto. Fornecedor que enrola nessas perguntas está te dizendo qual é o modelo de negócio dele.

O contra-argumento honesto

Existe um argumento real do outro lado: cliente que tem todos os acessos é cliente que pode quebrar o próprio site.

Isso acontece. Alguém entra na hospedagem, mexe onde não devia, e o site cai numa sexta à noite.

Mas a solução para isso é combinado, não é sequestro de acesso. O acordo saudável é você ter tudo no seu nome e delegar a operação a quem cuida. Igual à sua conta bancária: o contador acessa, mas a conta é sua.

Se alguém te oferece a proteção em troca da posse, o que está sendo protegido não é o seu site.

Quer que eu resolva isso pra você?

Sites a partir de R$ 200, no ar em dias. Domínio, acessos e código no seu nome desde o primeiro dia.

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